quarta-feira, 3 de abril de 2013

A FILA ANDA? A Falta de Seriedade no Namoro Leva à Impureza




A Falta de Seriedade no Namoro Leva à Impureza
Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição; que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra, não com o desejo de lascívia, como os gentios que não conhecem a Deus; e que, nesta matéria, ninguém ofenda nem defraude a seu irmão; porque o Senhor, contra todas estas coisas, como antes vos avisamos e testificamos claramente, é o vingador, porquanto Deus não nos chamou para a impureza, e sim para a santificação” (1Tessalonicenses 4.3-7).
Anos atrás foi veiculado na televisão um comercial da Coca-Cola que mostrava dois adolescentes na praia. Eles haviam acabado de se conhecer. Na cena, o rapaz está segurando uma lata do refrigerante quando a moça pede um gole. O problema é que já havia acabado. Então, ela pede pra levar a lata como uma lembrança daquele momento tão especial. De repente, percebe-se que se tratava de uma recordação por parte da moça. Ela estava em casa, segurando a lata do refrigerante e lembrando o que ocorreu. Ela decide então guardar a latinha na sua estante, quando de repente a câmera recua e, ao abrir a imagem, podem ser vistas outras cinquenta latas, no mínimo. Era nesse ponto que a terrível frase era pronunciada: “Ficar, essa é a real!”
Aos protestos muitos argumentarão: “Nós, cristãos, não ‘ficamos’! Nós namoramos de forma séria!” Não obstante, a verdade é que muitos jovens foram profundamente influenciados pela filosofia subjacente à propaganda mencionada, inclusive jovens cristãos. Porém, não é de hoje que nos deparamos com uma questão delicada: a impureza existente no namoro de muitos que professam a fé cristã. No momento tenho em mente uma forma de impureza bem específica: a constante e intensa troca de namorado/namorada.
É comum entre aqueles que não temem ao Senhor a prática de colecionar um namoro atrás do outro, como se uma lista com os muitos nomes dos rapazes fosse algo digno de orgulho, um trofeu a ser exibido para as amigas. Os rapazes costumam cultivar essa prática de forma ainda mais intensa, como se isso se constituísse na verdadeira prova da masculinidade.
Estão os jovens crentes imunes a esta prática? Não, não estão. Na realidade, é comum encontrarmos casos em que nossos moços colecionam um namoro atrás do outro. Interessantemente, eles até fazem uma pergunta que soa sincera: “Como poderei saber quem é a pessoa certa?” Michael Lawrence afirma que, “numa cultura que nos permite escolher a pessoa com quem vamos casar, ninguém deseja fazer a escolha errada. Especialmente se, como cristãos, entendemos que a escolha que fazemos é para o resto da vida”.[i]
O Ego por trás da pergunta
Sempre que alguém faz a pergunta acima, na verdade, o que está perguntando é: “Como posso saber se ela é a pessoa certa para mim?” O “eu” está em vista aqui. O objetivo do relacionamento se torna verificar se a outra pessoa atende ou não às minhas necessidades, se é compatível com o meu gênio, se mesatisfaz. O ego se torna o centro da questão. O jovem encara o namoro como um meio de satisfazer aquelas que ele pensa serem as suas necessidades. E, assim, até que encontre alguém que preencha os requisitos, várias pessoas serão “testadas” e “experimentadas”. Pior ainda, o jovem crente acaba enxergando os outros de uma maneira completamente errada. Em vez de enxergar os outros jovens crentes como irmãos e irmãs em Cristo, ele os vê como namorados ou namoradas em potencial.
A Banalização da Declaração de Amor
Isso revela um entendimento errôneo a respeito da natureza do amor, bem como leva a uma banalização do “eu te amo!” Será que os nossos jovens compreendem as reais implicações de se dizer que ama outra pessoa? Verdade seja dita: A grande maioria pronuncia essa frase imbuída do esquema conceitual do mundo. O “eu te amo!” é um testemunho implícito de que a outra pessoa corresponde aos anseios e às necessidades emocionais do “eu”. Como pontua Joshua Harris: “Primeiramente precisamos entender que todas as decepções do mundo advêm da crença de que o amor é basicamente para a realização e conforto de si mesmo. O mundo envenena o amor ao concentrar primeiramente na satisfação das necessidades da própria pessoa”.[ii]
O grande problema é que isso não é amor verdadeiro. Antes, é egoísmo. É defraudação. Como diz Harris: “Quando avaliamos a qualidade do nosso amor por alguém apenas pela nossa própria realização emocional, nós praticamos o egoísmo”.[iii] Disso resultam as sucessivas trocas de namoradas/namorados mesmo dentro da igreja.
Defraudação Equivale a Impureza
Em 1Tessalonicenses 4.3-7 fica claro que ofender e defraudar o irmão é o mesmo que cometer impureza. O contexto mostra que o apóstolo Paulo tem em mente a intimidade física sem compromisso. E por “compromisso”, entenda-se “casamento”. De forma prática, isso quer dizer que nossos jovens serão muito abençoados quando compreenderem que não possuem o menor direito a desfrutar de afetos e carícias de uma, duas, três, quatro jovens sob a desculpa de não terem convicção de que a pessoa do momento é “pessoa correta”.
Michael Lawrence usa uma ilustração interessante: “Muitas vezes, no namoro, pensamos e agimos como consumidores em vez de servos. E não como bons consumidores. Afinal, ninguém jamais foi a uma concessionária, pegou um carro para fazer um longo test-drive, estacionou-o na sua garagem particular, dirigiu-o até o trabalho e do trabalho para casa por várias semanas, talvez viajando nele de férias, rodando milhares de quilômetros, para depois leva-lo de volta ao vendedor, dizendo: ‘Não estou pronto para comprar este carro’”.[iv] A ilustração é absurda? Não! Absurdo é fazer algo semelhante com um irmão ou uma irmã em Cristo.
Um Caminho Melhor: Fazer as Perguntas Certas
Isto posto, proponho que em vez de perguntar “Como vou saber se ela é a pessoa certa pra mim?”, você pergunte: “Sou o tipo de pessoa com quem um filho/filha de Deus desejaria se casar?” ou “Que qualidades/características devo procurar observar, para poder iniciar um namoro com vistas ao casamento?” Então, uma vez que as perguntas certas tenham sido feitas e que o jovem tenha assentado em seu coração proteger aqueles que são suas irmãs em Cristo, por exemplo, ele decidirá namorar tempo suficiente para discernir se estará disposto a amá-la de forma sacrificial, como Cristo amou a Igreja (Ef 5.25). Ao assentar em seu coração proteger o coração de suas irmãs, o jovem cristão não se permitirá namorar uma moça durante um longo tempo, para poder ter confiança de que o casamento não desembocará em sofrimento.
Como consequência direta, o verbo “namorar” ganhará contornos completamente diferentes daqueles a que estamos acostumados. Gosto da definição dada por Scott Croft: “Namorar normalmente começa quando um homem solteiro aborda uma mulher solteira indo até o pai da mulher, e então conduz seu relacionamento com a mulher sob a autoridade de seu pai, de sua família ou igreja, o que for mais apropriado. Namorar sempre tem o casamento como objetivo direto”.[v] Deus nos chamou à santidade, inclusive em nossos relacionamentos!

Alan Rennê 


[i] Michael Lawrence. “Stop Test-Driving Your Girlfriend”. Acessado em 07/02/2012. .
[ii] Joshua Harris. Eu Disse Adeus ao Namoro. São Paulo: Atos, 2003. p. 60.
[iii] Ibid. p. 61.
[iv] Michael Lawrence. “Stop Test-Driving Your Girlfriend”.
[v] John Piper e Justin Taylor (Orgs.). Sexo e a Supremacia de Cristo. São Paulo: Cultura Cristã, 2009. p. 184.

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